Tuesday, February 19, 2008

Montar uma cama à Texana

Fartei-me de dormir numa cama de outrém (andava a dormir num colchão do meu chefe) e decidi comprar uma coisinha própria. Claro que, sendo eu como sou, estava cheio de indecisões e dilemas sobre o que comprar porque em principio vou mudar de casa e depois vai ser complicado para mudar as coisas mas também não quero continuar assim, blah blah blah... O que vale é que a pressão de tomar uma decisão em frente a outros funciona sempre. A mexicana, que é uma colega lá do laboratório, ofereceu-se para me levar ao IKEA, isto porque ela também não me parece que diga que não a uma boa tardada de compras. Lá fomos então e, estando eu sobre a pressão de não parecer um completo idiota sem espinha em frente da rapariga, lá me decidi pelo Grankulla/Massum, que até é uma boa escolha porque não é difícil de transportar e serve ao mesmo tempo como cama e algo onde me possa encostar. Comprámos as coisas e tal e ela veio trazer-me a casa; muito simpática.
Restava-me então a tarefa (até agradável, pensei eu) de montar o bicho, coisa que nunca me passou pela cabeça fosse dar muito trabalho visto até não ser estúpido e confiar cegamente nos meus dotes manuais. Errado! Deixem-me guiar-vos pelo processo de montagem:
passo 1: aparafusar uns parafusos a umas tábuas. Ora, obviamente que nunca me passou pela cabeça 1) esta coisa não vir com um modo de aparafusar ou 2) viver numa casa onde as pessoas não tivessem uma chave de fendas. Ambos foram erros crassos. Claro que eu não deixei as coisas ficarem assim: tudo o que havia na cozinha foi experimentado para tentar aparafusar o raio dos pinocos às tábuas. Eu parecia um macaco a tentar montar um computador ou coisa que o valha até me render às evidências que assim não estava a funcionar. Adiei, portanto, para o dia seguinte. Hoje, consegui desencantar uma chave de fendas no laboratório e voltei à carga. E a coisa parecia bem encaminhada.
passo 2: Pregar uns parafusos de plástico, para unir duas tábuas. Lá está, "tens a chave de fendas mas não tens o martelo" - disse-me eu a mim próprio. "Mas a chave de fendas serve como martelo, é uma questão de força" - respondi-me eu, cheio de confiança. Bastaram umas boas pancadas para perceber que o raio do parafuso não ia a lado nenhum. Pior, já não ia mais para dentro e não queria sair do buraco. Isso resolveu-se apoiando a chave de fendas do outro lado da tabua e mandando-lhe uma boa patada que fez o raio do pinoco saltar como uma rã para dentro de um charco (é assim que se fala no texas).
Não há problema, pensei eu: martelar coisas é um acto bem simples, andamos a fazê-lo desde a idade da pedra. Toca a olhar em volta a ver o que podia usar para marretar aqueles pinocos brancos e eis que ponho a vista em cima de uma das peças não utilizadas. Aha! pensei eu, sou um puto dum génio e toca de brutalizar os pinocos com o pedaço de madeira que, como seria de esperar, ficou no lindo estado que podem ver aqui ao lado.

martelar, acto 2. Obviamente, isto assim não podia ser. Mas, mil macacos me mordam se eu deixo uma tabuita vencer-me. Afinal de contas eu sou um engenheiro, ou pelo menos é o que diz no meu cartão de crédito. Ora, este engenheiro foi furioso lá fora e descobriu o belo pedaço de arvore que vêem na foto. Escusado será dizer que o pedaço de tronco foi completamente pulverizado à primeira marretada (cheia de raiva - bem sentida) que mandei com ele.
Pronto, neste ponto engoli o meu orgulho e fui incomodar os outros ocupantes desta casa à procura do abençoado martelo. Vai-se a ver e até há um martelo na casa, o BJ tem um. A partir daqui, aquilo foi como esmagar formigas. Nunca me senti tão bem a martelar.
Ora, estava eu alegremente a enterrar pinoco atrás de pinoco quando reparo que a um dos sítios onde era suposto espetar pinocos faltam os orifícios! Não, não sou estúpido e me enganei a montar. Sim, todas as outras peças encaixam nos seus devidos sítios e não há mais peças. Na foto, a da esquerda é a boa, a da direita devia ter os mesmos furos que a da esquerda. E pronto, isto foi demais para mim num só dia. Amanhã tenho de ir ao IKEA tentar trocar esta peça. Claro que para isso tenho de chatear alguém que me leve lá e tal... Mas isto não fica assim!

to be continued ...

4 comments:

EliZa said...

Primo foi só rir a ler o teu post!! :)
Mas olha que estás no bom caminho, não sendo um bricolage man, estás a ser muito creativo!
necessidade a quanto obrigas!
Beijos e boa sorte!

pedro said...

Meu caro! o teu modelo de cama e exactamente igual ao que eu comprei quando estive no cern! E sim... passei um dia a monta-lo e nao tinha martelo.

Maria maria said...

ola querido tiago tenho estado á espreita da continuação... deixaste nos suspensos! a cama está ou não já em serviço? Bem que te divertes- julgo eu- e nos divertes. muitos beijinhos

Bubamara said...

Entao e essa continuacao? Davam jeito umas gargalhadas...
Jbs