Acho que está na altura de escrever alguma coisa aqui, não só porque já faz algum tempo que não escrevo nada mas também porque estou farto de me ver com aquelas coisas nas mãos como se fosse um tarado qualquer. Muitas coisas aconteceram desde os tempos desse post e, por falar em tempo, acho que ainda não vos falei do tempo em Houston.
Desde os meus tempos de mãozinhas tivémos um furacão, nevou depois de um dia de 25ºC e agora estamos a ter um verão no inverno. Uma coisa de cada vez.
O furacão. Eu não estava cá durante o furacão, cheguei exactamente no dia em que o furacão passou, mas fiquei a perceber que o verdadeiro drama de um furacão começa quando o furacão acaba. Mal cheguei, percebi que as coisas não estavam lá muito normais. A cidade estava practicamente às escuras. No meu taxi vinha um tipo que queria apanhar um autocarro e quando lá chegámos, percebeu que já não ia a lado nenhum. Demorei imenso para chegar a casa porque o taxista tinha de estar constantemente a procurar caminhos que não tivessem arvores caídas no meio da estrada. Claramente, não augurava nada de bom. Quando cheguei a casa, percebi que os meus companheiros tinham comido e bebido tudo a que puderam deitar a mão mas pelo menos tinhamos electricidade.
No dia seguinte, percebi que a maior parte das pessoas não tinham electricidade, que os supermercados estavam todos fechados, havia racionamento de gasolina e que a cidade tinha um recolher obrigatório. RECOLHER OBRIGATÓRIO! Onde é que já se viu? Corriam rumores que havia um supermercado que estava aberto e eu e o vietnamita que vivia aqui mas já não vive, fomos em busca dele. Quando finalmente o descobrimos havia uma bicha enorme à porta mas lá acabámos por conseguir entrar (fomos os últimos desse dia - a hora do recolher obrigatorio estava mesmo a chegar), só para perceber que as prateleiras estavam practicamente vazias. Impressionante, e assustador.Duas semanas depois as coisas já estavam mais normais: os semáforos já começavam a funcionar (fiquei muito impressionado com o civismo das pessoas numa cidade sem semáforos), já se podia beber a àgua, electricidade já estava quase toda de volta, e a vida regressava mais ou menos ao normal.
Mas mesmo nos seus tempos normais, o tempo é um pouco estranho por aqui. Como disse, estavam 25ºC (em Dezembro!) num dia e no dia seguinte nevou! Mas nevou a sério, vejam na foto. Parece que já nao nevava por aqui há uns anos sérios. Só para verem como tempo por aqui é seriamente estranho, aqui fica o extracto das temperaturas de hoje. Notem que estiveram 25º durante o dia e agora estão cerca de 3º.
2 comments:
Primo! Que bom saber de ti! É verdadeiramente impressionante o que contas! É dificil imaginar numa cidade gigante como essa, ter que racionar gasolina; andar à procura de comida, não ter electricidade, enfim.. É o poder da natureza sobre o homem ou o estado do tempo que "comanda a vida!" :)
Um beijo enorme e continua a deliciar-nos com as tuas aventuras
Já cá não vinha há uns tempos e estava com saudades dos teus posts. É uma espécie de maneira te ter aqui a contá-los. Até os leio com a entoação que darias às coisas e só assim é que eles me fazem rir. De resto as histórias são de uma qualidade literária próxima de uma novela peruana :)))) (brincadeirinha)
Da próxima vez que houver furacão podias experimentar a pilhagem. Deve ser bem engraçado...e tem tradição por aí.
Um abraço
do Bruno
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