Deixem-me falar-vos um pouco mais sobre a vizinhança aqui da Griggs Road. Como já vos disse, esta zona é maioritariamente composta por casas que não resistiriam ao Katrina e lojas de automóveis, pneus e outras coisas associadas aos arredores distantes de uma cidade (apesar disto se encontrar quase no centro da cidade). No entanto, isto não deixa de ter os seus cantinhos mais pitorescos. 
Ao fundo da rua existe uma bomba da Shell que tem sido uma parte importante da minha vida. É lá que compro o café que bebo no caminho para o autocarro (o 30 - grande carreira, sou o único branco que o apanha) e grande parte das minhas refeições. Neste oásis, trabalha um turco que está lá à tarde e noite. Este turco simpatizou comigo quando topou que eu não era de lá (logo a seguir a responder-me que não, não temos pizzas congeladas mas olha, acho que temos umas sandes). A primeira coisa que me disse foi "sabes de onde eu sou? da turquia..." e estas reticências quase me trouxeram lágrimas aos olhos (nesses dias eu andava um bocadinho emocional).
O turco claramente reparou nesse brilhozinho nos meus olhos e reconheceu ali um camarada de emigração e, como camarada mais experiente nessas lides, sente-se um bocadinho responsável por mim. Eu tentei explicar-lhe o que fazia ali mas a palavra "postdoc" não batia certo na cabeça dele e ficámos por estar ali para estudar. Ele trata-me sempre por "meu amigo" e olha sempre para mim com aqueles olhos de quem tem imensa pena de mim, porque vê-me ali todos os dias a comprar o jantar, sabe que não tenho carro e, tenho a certeza, imagina-me numa vida mesmo muito precária. Está sempre a dizer para eu ter muito cuidado por ali e que aqui toda a gente tem carro porque "isto não é como na europa".
Eu cá gosto muito do turco. Hoje perguntei-lhe se eles ali vendiam guarda-chuvas (porque raios, estou farto de levar com chuva nos cornos) e ele disse que não mas ficou meia-hora a pensar onde se venderiam por aquelas bandas e finalmente acabou por dizer que ia perguntar ao patrão e que amanhã me dizia. Só tenho pena de não ter uma foto do turco para vos mostrar, mas é um bocado chato pedir-lhe para tirar uma foto.

Ao fundo da rua existe uma bomba da Shell que tem sido uma parte importante da minha vida. É lá que compro o café que bebo no caminho para o autocarro (o 30 - grande carreira, sou o único branco que o apanha) e grande parte das minhas refeições. Neste oásis, trabalha um turco que está lá à tarde e noite. Este turco simpatizou comigo quando topou que eu não era de lá (logo a seguir a responder-me que não, não temos pizzas congeladas mas olha, acho que temos umas sandes). A primeira coisa que me disse foi "sabes de onde eu sou? da turquia..." e estas reticências quase me trouxeram lágrimas aos olhos (nesses dias eu andava um bocadinho emocional).
O turco claramente reparou nesse brilhozinho nos meus olhos e reconheceu ali um camarada de emigração e, como camarada mais experiente nessas lides, sente-se um bocadinho responsável por mim. Eu tentei explicar-lhe o que fazia ali mas a palavra "postdoc" não batia certo na cabeça dele e ficámos por estar ali para estudar. Ele trata-me sempre por "meu amigo" e olha sempre para mim com aqueles olhos de quem tem imensa pena de mim, porque vê-me ali todos os dias a comprar o jantar, sabe que não tenho carro e, tenho a certeza, imagina-me numa vida mesmo muito precária. Está sempre a dizer para eu ter muito cuidado por ali e que aqui toda a gente tem carro porque "isto não é como na europa".
Eu cá gosto muito do turco. Hoje perguntei-lhe se eles ali vendiam guarda-chuvas (porque raios, estou farto de levar com chuva nos cornos) e ele disse que não mas ficou meia-hora a pensar onde se venderiam por aquelas bandas e finalmente acabou por dizer que ia perguntar ao patrão e que amanhã me dizia. Só tenho pena de não ter uma foto do turco para vos mostrar, mas é um bocado chato pedir-lhe para tirar uma foto.
2 comments:
Primo, também já gosto do turco!
swiff
olá outra vez...
pois é.... os turcos são fixes. ontem e hj passei o dia com uma turca.. Burju.. não sei se é assim q se escreve... (uma amiga do gonçalo que está a trabalhar na suécia e veio cá a uma entrevista)
os turcos são porreiros:)
eu apostava ness tipo:)
big kiss..
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